sábado, 9 de janeiro de 2010

MomentoO!

É tão estranho acordar pela manhã com aquele nó na garganta, aquela vontade de não sair da cama com medo das surpresas que talvez a vida me reserve.
Ou mesmo aquela incerteza de que se vale a pena acordar, desejando fechar os olhos até que a tristeza que cobre minha visão se vá, ou talvez não abrir mais os olhos.
E levanta, encarar meu próprio olhar vazio no espelho do banheiro, e procurar em meus olhos aquele brilho que antes cativou tantas pessoas, mas não encontrar nada além da tristeza, me faz querer trancar a porta do quarto e perder a chave.
E então, com muita falta de vontade, começo minha rotina, e começo meu dia com uma dor no peito causada pela amargura do despertar, pela falta de vontade em seguir.
E as pessoas me olham e falam comigo , mas nada parece importar, não passam de sussurros aos meus ouvidos.
Não fazem sentido, não são palavras conhecidas ao que parece chegar até mim.
E todas aquelas pessoas a minha volta, que falam comigo começam a perder a forma e tornam-se vultos, não passam de borrões na minha vista.
E eu me sinto infeliz, sozinha, mesmo que cercada por muitas pessoas, que tentam, de forma inutil, se comunicar comigo.
Pois no meio da confusão, eu só procuro um olhar, uma face, uma única voz, que não esta ali.
Eu então começo a correr, mesmo sem ter um rumo, e tudo começa a ficar escuro.
E eu agradeço as trevas em minha volta, pois todos os vultos desapareceram, as vozes não ecoavam mais ao meu redor, ea dor, a angústia, a tristeza, qualquer sentimento se dissipou na escuridão.
E eu me dei conta que tive coragem de fechar os olhos, porque não queria nunca mais abri-los. E nesse momento as lembranças de dias ensolarados são lançadas na escuridão, trazendo uma luz que não era para estar lá, que eu não queria que estivesse lá.
Então eu percebi que em uma dessas lembranças tinha em si um olhar tão puro e sincero, e um sorriso aparece em meus lábios, então eu não consigo conter.
Lágrimas começam a surgir dos meus olhos, e aquela esperança que tinha abandonado o meu corpo se repõe e a vontade de acordar daquele sonho.
E os meus olhos voltam a brilhar.
E a lembrança daquele olhar me renova.
E então tudo volta a ter sentido, as pessoas continuam falando, agora eu posso entendê-las.
Os rostos possuem nitidez.
Mas eu nada mais penso, eu só preciso procurar, entre tantas pessoas, aquele olhar, que me deu a vida.
Era só uma lembrança.
Porém, cada lembrança que estava registrada em minha memória foi o suficiente para me trazer de volta de um mundo do qual não existia vida, ou alegrias.
E desde então, é nesse olhar que minha vida se inspira, é na falta desse olhar que minha vida chora, e é por esse olhar, que meu pulmão ainda se estufa de ar.
A vida me foi dada, meu renascer deve-se aos olhos que me fizeram amar.
E isso me mostra que desistir desse alguém, é mais impossível do que esquecer do brilho do olhar que tens.

(( GlaucinháaaH ))

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